sexta-feira, janeiro 13, 2006

Elogio à Educação Moderna

EPA, como as distâncias se anulam!

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Olhares





sexta-feira, dezembro 16, 2005

Porque a vida pode ser priva.da. de certezas do ser.
Porquê?

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Por que quero ser professora?

Há muitos anos, quis ser professora de Matemática. Porque o raciocínio e a certeza dos números me fascinam! No entanto, comecei a aperceber-me de que numa equação de segundo grau ou na fórmula resolvente os espaços em branco não podiam dar lugar à criatividade.
Então, fui descobrindo qualquer coisa que têm as palavras e que lhes confere o poder de nomear, de dar voz, de transformar. Palpáveis, maleáveis, as palavras edificam o lugar da experiência, da oficina em que se toca, trabalha, constrói. E que melhor oficina que a sala de aula, a aula de Língua Portuguesa, a aula feita por alunos, professor - gente? Mais do que o lugar da palavra, quero construir com os meus futuros alunos o lugar da imaginação.
Quero ser professora de Português porque preciso que a minha língua dê sentido ao que de mais verdadeiro existe em mim, em ti, no outro, nas relações: o desejo de troca, a liberdade de pensar, a criatividade, a sede de conhecer. Espero pelos alunos, as pessoas, com olhos sedentos e ouvidos atentos e mãos despertas e bocas abertas, que me saibam ensinar (saberão!) tudo o que possa, ainda, estar para além da reciprocidade e do afecto!

terça-feira, dezembro 13, 2005

Quitina, penas, pêlos. Garras.

Voando na incerteza de poisar
sobre a certeza,
entrelaço os fios de ar
no meu zumbido aceso.

Tecendo um ninho de sonhos
feito,
embalo na distância
a espera do encontro.

Rasgando adentro o meu casulo
de quimeras,
esvoaço por entre os sóis
todos que tem a água.

Saltando acima a esfera
do horizonte,
entrego também as asas
que já não sei.

Piando do princípio os
já gastos restos,
sigo em busca desse arco que
a velha esconde no regaço.

24.03.02

Vermelho - vivo.

A menos que o sol não brilhe
encontrar-me-ás aqui
nestes campos verdejantes
entre as papoilas
ouvindo quente
o assobio deste meu
vento
deitado em flores de amendoeira
espero também voar
muito para lá do horizonte
aqui
tão chegado às minhas tranças.
No verde, o olhar de bago de romã
escorrendo em sumo em rubro os
lábios.
Não chegues. Nem venhas. Nem
tragas no alforge a merenda para
os dois. Que neste fim de tarde,
não quero as palavras, sou
apenas eu e este trigo
que me rasga a camisola.
Quero ser raíz, e terra.
E só voar num grão de pó se
o vento assim quiser.
18.03.02

respirar

pensar-te inteiro
em cada inspiração
lembrar-te ao ritmo
do bater do coração
sentir-te preso
na minha pele livre
descobrir-te no frio
do forte sopro do vento
ver-te em tudo
que tangem meus dedos
ter-te cativo nas asas
grandes do tempo
julgar-te a mim
feito e formado
amar-te a quente
assim abandonado
fingir-te pouco meu
ainda ao longe o corpo
tocar-te sob um véu
de pedra sobre o gelo
saber-te novo em
cada passo a mais
lembrar-te ao ritmo
do bater do coração
em cada expiração
pensar-te inteiro

11.12.03

segunda-feira, dezembro 12, 2005

ALOGIA

Uma doblez inopinada
um torrencial de sentimentos
esgares pávidos
meias palavras
corpos inteiros.

Desconstruo
Organizo
Permuto

e numa total inépcia
pretendo em ti uma certeza
de mim.

domingo, dezembro 11, 2005

Solipsismo renovado

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Ascensão

O pé que molda e amolga.
A terra. Generosa anfitriã.

Amálgama de vidas.
Pé que desliza e pressiona
o apelo da terra
passo a passo mais fundo.

Num estrato lá longe,
já sem ritmo
aprendem-se as pegadas invertidas.

terça-feira, dezembro 06, 2005

ao Pater

Visto-me de lianas
para ao longe te receber
numa tela branca de novidade.
Pensamentos ocultos que não transpiram
na promessa de um afago
uma mão que me castra.

Palavras como labirintos que a si mesmas se passeiam.


Posted by Joana, Cláudia e Filipa

Solipsismo

És a exigência de palavras que não pude suportar em mim.

Lancelot

Nunca fui cavaleiro
mas não pude fugir de mim.
Couraçado e descalço
caminho sobre mim.
Procuro-me como agasalho de meus pés,
tapete corpóreo de rumor lavrado.

Recuos. Quedas. Investidas.
Inimigos sem olhar.

Invade-me o som do tempo.

Aleph

És o todo e toda a parte
És floresta, oceano ou deserto
És música, poesia e arte
Estás longe e porém tão perto

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Vertigem

Ao
sensato
olhar a
névoa
insinuava-se,
grata e
inabalável.
Titubeante, o
relutante olhar
erigiu-se na
Vertigem.

Poesia de alto gabarito

Com a mão aberta
como que a afastar
Procuro em ti
uma parte para amar.

E agora só para irritar
com candeias
te vou procurar.

P.S. Tudo isto foi feito a rimar e porque quero que me continuem a aturar!

domingo, dezembro 04, 2005

Eodem tempore...

Uma pena leve.
Um papiro pérola.
Um tinteiro. Vazio.

Se eu fosse poeta.
E vivesse
no tempo dos castelos.
21.11.02

Membrana interdigital.

Tudo tão branco.
[E a caneta a transbordar a tinta.]
Um desperdício se os dedos se calam.
21.11.02

Quando for grande...

Quero saber cheirar as palavras.
E ter dois braços em volta.
Uma almofada como um peito.
Quero ser tudo o que não puder.
E voar com asas de avestruz.
Penas de papel de jornal.
Quero morar numa casca de noz.
E fazer castelos na minha terra.
A ponte de tábuas quebradiças.
Quero ouvir o choro da chegada.
E nunca partir para sempre.
A estrada larga não acaba.
Não quero fingir luz nos olhos.
Ou mãos quentes de carinhos.
Os dias são estes.

Quando for grande quero ser amada.
7.1.05

Bom dia cá d'ô péi!

Maganas, malsoadas...! Ainda nam m'enteri... Ora, a-que-turrum-tum-tum se foram lembrar de prantar aqui este belmeque? Nam di barrunto, mas olhem que está mum fachadento! Fizeram-no a escape!
Não venho aqui arrematar, mas antes alumiar-vos por terem tirado as alâmpadas! Porque somos as três da mesma leja! E este caranço... sará'ma coisa linda?!...
E a mim, o que me há-de cabedar?
Agora, adiós perico...

Abraço

Hélice volúvel que na rede se entrelaça.
Não resiste e pára.

Cópula imprevista,
Braço a braço.

sábado, dezembro 03, 2005

A palavra

O futuro é raro, e cada dia que vem não é um dia que começa. Mais rara ainda é a palavra que, no seu silêncio, é reserva de uma palavra por vir e nos volta, nem que seja no mais próximo do nosso fim, para a força do começo.
[a palavra] chama realmente a poesia para a aventura que ela deve essencialmente ser quando se expõe, sem garantia e sem certeza, à liberdade do que não é ainda senão a vir.
M. Blanchot, A Besta de Lascaux

Nós as três...

... porque em conjunto é mais giro!