Terça-feira, Dezembro 13, 2005

respirar

pensar-te inteiro
em cada inspiração
lembrar-te ao ritmo
do bater do coração
sentir-te preso
na minha pele livre
descobrir-te no frio
do forte sopro do vento
ver-te em tudo
que tangem meus dedos
ter-te cativo nas asas
grandes do tempo
julgar-te a mim
feito e formado
amar-te a quente
assim abandonado
fingir-te pouco meu
ainda ao longe o corpo
tocar-te sob um véu
de pedra sobre o gelo
saber-te novo em
cada passo a mais
lembrar-te ao ritmo
do bater do coração
em cada expiração
pensar-te inteiro

11.12.03

4 Comments:

Anonymous Filipa said...

Se existe poesia feminina, este é um verdadeiro exemplar.

1:05 AM  
Blogger sete-sóis said...

Feminina ou não, a poesia daqui escreve-se bela e livre. Livre!

(mas só para deitar achas à discussão - as palavras são femininas como os sentimentos que descrevem ou são dos olhos de quem as lê e dos sentimentos que recriam?)
(fui pouco claro?)

11:24 PM  
Anonymous Filipa said...

Em nome da polémica, insisto!
Há poesia feminina, quer seja na cabeça de quem escreve,quer seja nos olhos de quem lê... de alguma forma ela toma existência.

11:44 PM  
Blogger Fábio Silva said...

Sensacional, sublime, motivador, sereno...

12:57 PM  

Enviar um comentário

<< Home