Terça-feira, Dezembro 13, 2005

Vermelho - vivo.

A menos que o sol não brilhe
encontrar-me-ás aqui
nestes campos verdejantes
entre as papoilas
ouvindo quente
o assobio deste meu
vento
deitado em flores de amendoeira
espero também voar
muito para lá do horizonte
aqui
tão chegado às minhas tranças.
No verde, o olhar de bago de romã
escorrendo em sumo em rubro os
lábios.
Não chegues. Nem venhas. Nem
tragas no alforge a merenda para
os dois. Que neste fim de tarde,
não quero as palavras, sou
apenas eu e este trigo
que me rasga a camisola.
Quero ser raíz, e terra.
E só voar num grão de pó se
o vento assim quiser.
18.03.02

4 Comments:

Blogger sete-sóis said...

Dentro do mesmo cenário, são várias as imagens que se sucedem.
E as cores, os sons, os frutos e as mãos :-)
E o vento.

Mas a imagem é o que mais me cativa, talvez porque esteja entretecida por todas as coisas belas que contem.

E porque tem o dom de me projectar em imagens que me rodeiam há muito nos campos floridos da imaginação.

11:38 PM  
Blogger rafael said...

não devia antes ser um gafanhoto ?

9:33 PM  
Blogger rafael said...

quer dizer,


um "poema de um gafanhoto"

9:37 PM  
Blogger rafael said...

tava a ler e parecia-me mesmo um gafanhoto...

só pensava num gafanhoto

9:38 PM  

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